FAMÍLIA: TEM RECEITA?

FAMÍLIA: TEM RECEITA?
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Quase tudo o que fazemos na vida vem de escolhas: nossa área de estudo, nosso trabalho, nossa saúde, nosso lazer, nosso estilo de vida, nosso casamento ou não casamento. Aquilo que escolhemos hoje surtirá efeitos bons ou ruins a curto, médio e longo prazo. Sempre ouvi, mas não sei a quem atribuir a frase, que “O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.” E uma enxurrada de provérbios, vindos da sabedoria popular comprovam isso, e uso de exemplo o mais famoso deles: “Quem semeia vento, colhe tempestade.”

Entretanto, a família, a base sobre a qual caminhamos por toda a vida, não é uma escolha nossa. Justamente ela que exerce uma alquimia tão poderosa sobre nós, seres humanos, que por ela somos parcialmente moldados, seja para o bem ou para o mal, seja para o sucesso ou fracasso, seja para a libertação ou para a escravidão. Por meio da família, podemos aprender comportamentos que nos levam para baixo, aos nossos instintos mais selvagens, ou para cima, exercendo nossas virtudes mais superiores.

Existe família perfeita? Doce ilusão de quem acha que existe. Vamos falar em famílias positivas, ao invés de falar em famílias perfeitas. Difícil dizer o que seria uma família positiva, mas certamente será aquela que mesmo quando nos desaprova, nos faz sentir aceitos e respeitados. É onde sempre “temos um lugar à mesa”, poeticamente referindo-me ao lugar no coração. Famílias positivas têm conflitos… e muitos. Conflitos e luta por espaço são questões normais em qualquer relação humana e eles não têm nada de errado em si mesmos. O que os torna errados, é a forma como lidamos com eles, o tom que damos para a solução dos conflitos e as armas que usamos para lutar por nossos espaços.

Se fosse desenhar a tempestade perfeita para definir uma família que sofre, os seguintes elementos ,

certamente, precisariam estar presentes:

Mães que se vitimizam e geram culpa e raiva nos filhos e no marido.

Pais provedores que aceitam o peso nos ombros de ter que trabalhar incessantemente, sem espaço para ter, ele próprio, carinho e escuta.

Filhos que são cobrados a ser talentosos e amorosos o tempo todo.

Seria fácil perguntar: Mas não é esse o esperado? Mães se vitimizam mesmo, porque trabalham fora e dentro de casa, ou só em casa, e por isso não têm vida própria. Pais têm que ser provedores mesmo e trabalhar sem se importar consigo mesmo. E aos filhos só lhes resta pagar tanto sacrifício sendo amorosos e talentosos o tempo todo, sem se importar muito com seus próprios sentimentos a respeito de si mesmos.

E bem difícil responder: Não, não é esse o esperado. Se nós, pais e mães, fôssemos menos egoístas, patéticos e confusos e fôssemos mais generosos, maduros e equilibrados, veríamos uma multiplicação infinita de afetos, na dor e na alegria e confiaríamos mais em que vai acabar tudo bem, se tiver amor envolvido.

Respondendo à pergunta do início, escritores, psiquiatras, antropólogos, sociólogos e tantos outros profissionais da alma humana, já disseram, através dos tempos que não, não existe receita de família perfeita. Mas o mestre dos mestres entre os escritores de todos os tempos, tem uma frase, que dá a pista para um começo de receita: “Quem ama, dá a mão, mas não acorrenta a alma.”

Rita de Cássia Luz Soares 

Diretora da Unidade Franqueada – FISK Centro de Ensino – Caçapava

Diretora Pedagógica da Unidade Franqueada – FISK Centro de Ensino – Taubaté

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