Carnaval de Caçapava terá primeiro bloco contra a violência feminina

No dia 14 de fevereiro, sábado, estreia em Caçapava o primeiro bloco carnavalesco que une folia e conscientização sobre a violência às mulheres. Trata-se do ” Bloco Cultivando Cura “, uma iniciativa da escritora e foliona Ana Masseo, a partir do projeto criado com o mesmo nome. A concentração do bloco será na Avenida Manoel Inocêncio, 457, em frente às Lojas Cem, às 17h30. A saída está prevista para 18h.

O bloco tem o apoio do Caroço Cultural, um segmento do Ponto de Cultura Pé de Manga que atua com projetos de diversidade. Os foliões, homens e mulheres, passarão pelas ruas do centro da cidade e encerrarão o percurso na Praça da Bandeira, onde seguirão a programação da Prefeitura. Durante todo o percurso, os membros levaram cartazes com mensagens como “Não é não!”, anunciadas principalmente em campanhas de combate ao assédio e à violência sexual.

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, de 2024 para 2025 houve um aumento de 6,5% no número de estupros registrados nas 39 cidades que compõem o Vale do Paraíba, de 810 para 863 ocorrências, incluindo estupro de graves. Em Caçapava, foram 21 casos registrados em 2025, uma ocorrência a menos que no ano anterior, porém, ainda assim, um índice bastante negativo para o município.

“O carnaval é época de diversão, as pessoas brincam, bebem, usam fantasias, há liberdade do corpo e do movimento, mas nem por isso a violência é justificável pelo contexto festivo. A liberdade não suspende os direitos, ‘não é não’ em qualquer situação e nós temos o dever como sociedade de lembrar isso”, explicou Ana Masseo sobre a iniciativa do bloco.

A ideia de levar o tema para o carnaval surgiu a partir do trabalho realizado no Coletivo de Mulheres Cultivando Cura, que foi criado em fevereiro de 2024, para acolher e defender os direitos das vítimas de crimes sexuais (de qualquer gênero). O grupo atua promovendo a cura integral por meio de um ambiente de apoio, com atividades educacionais e artísticas que fortalecem o protagonismo e a autonomia dessas pessoas.

O bloco Cultivando Cura promete animação e diversão para famílias e pessoas de todos os gêneros e orientações que se identificam com a causa e queiram apoiar. Para este primeiro carnaval, o grupo criou sua própria marchinha e camisetas personalizadas. A letra é de Ana Masseo e a música é de Celso Van Bee. Para participar do bloco, basta comparecer no dia e horário programados.

O início do projeto

 

O Coletivo Cultivando Cura surgiu a partir da escrita do livro “A culpa não é minha”, de Ana Masseo, em 2023, no qual a autora coletou depoimentos de vítimas de abusos sexuais, como forma de ruptura e exemplo de superação.

Em seguida, houve a aprovação em edital do curta-metragem documentário homônimo, também com depoimentos e com a participação de uma psicóloga. O livro e o documentário foram para as ruas por meio de exposições múltiplas, com rodas de conversa e reflexões para compreensão da necessidade de se falar sobre o assunto.

A partir disso, o coletivo se forma, em 2024, e passa a se reunir semanalmente com o objetivo de acolher e trabalhar a autoestima e a valorização das mulheres e outras vítimas. Os encontros contam com atividades artísticas, culturais e rodas de conversa, abrindo a possibilidade de auxiliar aqueles que passaram por algum tipo de sofrimento ou violência e fortalecem a prevenção de abusos .

 

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